Fatos, devaneios e um pouco de loucura
   
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Mudei de endereço.

O novo blog é http://fatoseloucura.blogspot.com/



Escrito por Mônica às 14h28
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Era uma vez um povo que, literalmente, morria de ter idéias. Cada vez que que alguém tinha uma idéia, sua cabeça incendiava e a pessoa morria.

Como a população estava diminuindo cada vez mais, decidiram fazer uma reunião para encontrar uma solução. Tiveram várias idéias.



Escrito por Mônica às 14h10
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Negação

Ao aproximar-se dos trinta, compreendeu, finalmente, o medo que as pessoas tinham do tempo. Novas marcas no rosto, novas cores no cabelo, mas nada por opção.
Tinha duas escolhas: aceitar e viver ou ignorar e viver. Fez a sua.
Retirou o dia 15/03 do calendário e morreu, 70 anos depois, com menos de 30.

 



Escrito por Mônica às 00h13
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Aquela Tarde

Retirou do armário todas as fotos que guardara. Eram 35 anos de história numa caixa. Após reviver cada um daqueles momentos, saiu para buscar os resultados.
Abriu o envelope e toda sua vida passou pela sua cabeça, como num vídeo.
Cedo demais para o filme. Tarde demais para a vida.



Escrito por Mônica às 00h01
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Voltei

Inspirada (que neste caso é sinônimo de pressionada) pelo meu projeto final, voltei a produzir alguns textos, que vou colocar aqui para vocês.

Enjoy! (Ou não...)



Escrito por Mônica às 23h45
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O Retorno (Mônica Marinho)

Abriu os olhos. A parede branca à sua frente não lhe era familiar. Ouviu vozes e várias cabeças assomaram-se à cama para vê-la. Pareciam surpresas. Suspiravam, sorriam, choravam.

Ela não entendia o que estava acontecendo. Não reconhecia aquelas pessoas. Achou que o melhor seria voltar a dormir. Fechou os olhos.

 

 

P.S. Este texto foi produzido a partir de um exercício de mini-contos, em que o conto não poderia ter mais de 50 palavras.



Escrito por Mônica às 08h35
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Sofia e João (Mônica Marinho)

Era uma vez uma menina cheia de luz. Seu nome era Sofia e, como bem diz seu nome, era muito sábia, apesar de sua pouca idade. Amava a vida e não conseguia imaginar-se fora dela. Tinha muitos amigos e seus dias eram uma eterna colônia de férias.

Um belo dia, belo mesmo, daqueles que têm sol brilhante e céu azul, Sofia conheceu João. João conheceu Sofia. E então, os dois experimentaram a mistura, a perigosa e deliciosa mistura de “primeiro amor” com “amor à primeira vista”. A partir desse dia, Sofia passou a esperar ansiosamente pelo final de semana e João passava a semana imaginando como seria seu próximo encontro com Sofia.

Cada encontro era mágico. Só o fato de se saberem ali já iluminava o olhar daquelas criaturinhas.

Outro belo dia, talvez mais belo que o dia em que se conheceram, João encheu-se de coragem e pediu, a Sofia, um beijo.

O que fazer? Sofia não sabia. Seu coração parecia querer sair pela boca e sentia que todos os olhos do mundo estavam sobre eles, ali, atrás da árvore. E eles deram seu primeiro beijo. E choraram de emoção.

O tempo foi passando e João mudou-se de cidade. O que faria Sofia naquela cidade tão vazia, onde nunca mais os dias seriam tão belos como os que teve com João? Sobreviveria.

Sofia mudou-se de cidade, conheceu outras pessoas, teve outros amores. João também os teve, com certeza, mas Sofia nunca perguntou.

João voltou à sua cidade vazia, sem Sofia. Tempos depois, Sofia também voltou.

Encontraram-se, já adolescentes, cheios de hormônios e expectativas. Conversaram, muito, sobre a vida. Despediram-se.

João mudou-se de cidade e Sofia continuou nela, mas já não se sentia vazia, pois sabia que iria reencontrar João algum dia.

Sofia mudou-se novamente. Teve novas experiências, novos amores, mas nunca esquecia João. Isso não era ruim, pois sempre tinha alguém a quem voltar quando seu coração estava vazio. João nunca soube disso.

Sofia voltou à cidade. Dessa vez, por mais tempo. Soube que João iria se casar.

Doeu. Como quando se corta o dedo com o papel; como quando se bate o cotovelo na estante; como quando se tem uma cárie no dente. Chorou. Sofia chorou como não fazia há tempos. Como poderia João casar-se com outra pessoa que não ela, seu primeiro amor, aquela que o fez sonhar por tanto tempo, aquela que enchia sua cidade com um sorriso. Passou.

Sofia era adulta agora, cheia de bagagem, cheia de planos. Talvez um dia encontrasse João na esquina. Afinal de contas, sua cidade era pequena. Essa esperança a manteve viva por bastante tempo. Um ano.

Não resistiu. Sabia o telefone de João, sabia onde morava, por que não procurá-lo? Ligou. João atendeu. Reconheceu Sofia no primeiro alô. Não podia acreditar, depois de tanto tempo... Aquela voz doce no telefone... Era Sofia, era Sofia...

Não resistiu. Chamou-a para jantar no dia seguinte. Cozinharia pra ela. Isso merecia algo especial. Era Sofia. Não podia ser diferente.

Sofia aceitou. Preparou sua melhor roupa, seu melhor sapato, seu melhor perfume, seu melhor olhar, seu melhor beijo.

João também queria apresentar tudo de melhor para Sofia. Só errou no perfume, que enjoava um pouco Sofia, mas não importava. Era João. Era Sofia. Eram João e Sofia, juntos, novamente.

Conversaram durante muito tempo. Talvez umas cinco horas. Fazia tanto tempo que não se viam, tinham tanto para compartilhar. Conversaram. Pararam. Resolveram assistir a algum filme. “Confissões de Schmidt”. Sentaram-se na cama.

João não sabia como chegar mais perto de Sofia. Sofia teve a mesma sensação do primeiro beijo, coração na boca, olhos por todos os lados. Beijaram-se. Beijaram-se como nunca tinham beijado ninguém. Parecia até que aquele seria o último beijo de suas vidas.

Sofia assustou-se. Foi embora. João não queria, mas ela foi. (continua no próximo post)



Escrito por Mônica às 14h04
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Sofia e João (continuação)

João viajou, mas ligava todos os dias para Sofia e dizia que estava contando os dias para vê-la.

João chegou e correu para os braços de Sofia. Tiveram a noite de amor mais linda que se pode imaginar, com direito a cachorro-quente e conchinha.

Acabou. Assim disse Sofia. João não podia acreditar no que estava ouvindo. Eles estavam tão bem, se divertiam tanto.

Acabou. Sofia sabia que aquilo não daria certo. Aquela mulher, que um dia foi menina, tinha nascido para ser a protagonista de sua vida. Tinha nascido para ser a atriz principal em todos os atos. Naquela relação, Sofia era a coadjuvante, ou melhor, “coadjuamante”. Não daria certo.

Terminou assim uma linda estória. Dessas para contar para os netos. Sofia lembraria pra sempre de João e saberia que João seria a estória mais bonita e romântica que alguém poderia contar.

João sofreu, mas percebeu que não seria capaz de escolher.

Seria perfeito se tivesse acabado assim, mas Sofia, como toda mulher apaixonada, lutou contra a corrente e resolveu seguir com a relação, mesmo sabendo que seria apenas uma prolongação de um relacionamento que teria um fim inevitável.

Entregou-se, insistiu, se declarou. Nada. Não podia mudar o seu destino, nem o de João.

Acabou. Assim disse João. Ele não podia lutar contra o que estava escrito e, naquele momento, Sofia não estava no texto.

Sofia sofreu. Chorou como nunca havia chorado na vida. Doeu como dói quando se quebra um dedo, um braço, uma perna, um coração. Achava que não haveria remédio para sua doença, não haveria cura para seu sofrimento.

Mas passou. Demorou a passar, mas a dor passou. Ficou apenas uma angústia e até uma raiva por João não querer viver o que estava destinado para ele: uma vida com Sofia.

Passou-se muito tempo antes de Sofia perceber que foi ela quem estragou sua estória com João, pelo simples fato de ir contra sua natureza e tentar mudar o que estava predestinado.

Quando percebeu isso, Sofia pôde, pela primeira vez em anos, desejar, do fundo do coração, que João fosse feliz.

Hoje Sofia vive um conto de fadas com Guilherme, seu namorado. Mas essa já é outra estória.

Escrito por Mônica às 14h04
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Solidão (Mônica Marinho)

Dona Solidão é uma milenária senhora que vive perdida em seus pensamentos: pensa em sair, mas receia encontrar alguém; pensa em abrir a janela, mas, e se vir alguém? Pensa que é melhor ficar sozinha.

Tem como vizinhas a Amargura, a Angústia, a Tristeza.

Falta-lhe Amor.

Às vezes acha que deveria encontrar alguém para dividir seus pensamentos, pois estes borbulham-lhe na cabeça e ela não tem mais onde guardá-los. Mas se encontrasse alguém perderia sua essência e teria que deixar de ser Dona Solidão. Tal idéia arrepia-lhe os pelos.

Às vezes acha que deveria mudar-se do lugar onde vive: paisagem cinza, fria, sem vida. Mas lembra-se de suas vizinhas, que cresceram com ela e que já fazem parte de sua história. Afinal, o que seria da Solidão sem a Amargura, a Angústia e a Tristeza?

Então Dona Solidão segue sua vida com a cabeça cheia e o coração vazio, à espera de algo que a faça mudar de lugar, de jeito. Que a faça querer deixar de ser Solidão.



Escrito por Mônica às 07h52
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Medo (Mônica Marinho)

E em meio a vida há o medo.

Medo do novo, do diferente, do inesperado.

Medo de não voltar a ser o que era ou até de voltar a ser.

Medo de sentir que tudo o que foi construído pode simplesmente ruir.

Medo das saudades do que não se viveu, ou de sentir que não se viveu por medo.

Medo do amor, do ódio, da indiferença.

Medo de sentir que sente, ainda que sem sentir.

Medo de escolher caminhos, que podem nos levar além ou a lugar algum.

Medo da intensidade do viver intensamente.

Medo do impulso, do pulso, da vida.

Medo do que se foi, do que se é e do que se pode chegar a ser.

Medo de perceber que ao render-se ao medo o amanhã será como hoje e o hoje, nada mais.

Medo da liberdade dos bêbados, da impudicícia dos loucos e da sinceridade das crianças, pois eles enxergam além olhar.

Medo do medo que se sente ao descobrir que não há o exato no viver,

E que viver é nada mais que saber sentir e saber sofrer.



Escrito por Mônica às 09h36
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Outro Lugar (Mônica Marinho)

Chegou a hora de fugir.

Fugir para um lugar onde rugas e cabelos brancos não sejam apenas "ação do tempo", mas, principalmente, livros de história.

Fugir para um lugar onde as diferenças não excluam , somem.

Fugir para um lugar onde devaneios como os de Quixote não rendam isolamento, mas poesia.

Fugir para um novo mundo, onde a política de um é a política para todos, independente de ideologias; dependente de respeito.

Fugir da alienação, da ausência, da distância dos sentimentos alheios.

Fugir da banalização de tudo: da violência, da corrupção, do sofrimento, da vida.

Fugir da falta de respeito, de empenho, de esforço. Da falta de consciência do espaço próprio e do espaço alheio, que faz com que seja natural invadir um jardim, roubar uma laranja, uma vaga, uma fala.

Fugir da hipocrisia, da incoerência, da vergonha por não conseguir manter palavras, princípios.

Fugir da eloquência de uns e da passividade de muitos.

Fugir da indiferença, que faz com que as coisas que acontecem ao nosso redor sejam cenas de um filme ruim que não deixa marcas nem indignação.

Fugir para qualquer lugar, para "qualquer parte, contanto que seja fora do mundo"1.

 

1 Resposta de Baudelaire quando questionado sobre onde preferia viver.



Escrito por Mônica às 12h10
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Por quê? (Mônica Marinho)

Por que é que às vezes

Quando pensamos

Se estamos felizes

Ou se estamos tristes

Achamos que a vida

Colocou uma armadilha

E que nosso existir

É um eterno pensar?

Por que, me pergunto,

Parece que não vivemos

Que não aproveitamos

E que o pouco que nos move

Parece acabar?

Por que, me questiono,

Quando nosso peito arde

Pensamos que é amor

Pensamos que é angústia

Pensamos, pensamos

Sem perceber

Que na verdade é o destino

Enganando-nos outra vez

Nos tapando os olhos

Para que não possamos ver

Que o que realmente precisamos

É parar de pensar

E começar a viver.



Escrito por Mônica às 12h03
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Pessoas:

Aviso que este blog não será atualizado diariamente por duas razões:

1. Estou sem internet em casa

2. Minha inspiração é esporádica.

Mas ainda assim, espero a visita constante de vocês.

Beijinhos!!!



Escrito por Mônica às 10h23
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Aos meus amigos

Loucos e Santos (Oscar Wilde)

"Escolho os meus amigos não pela pele nem outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito ou os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero o meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e a outra metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril."



Escrito por Mônica às 09h39
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